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Mostrando postagens de 2025

Um Jornal do Campus

Chegaram ao Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA-USP, as 8.000 cópias da edição 551 do Jornal do Campus. Saindo da aula eu olhei a edição, ela olhou de volta para mim, no departamento de jornalismo ninguém espera a distribuição, a notícia é pública, é nossa, quem passar pega, só quem é de fora desse mundo tem que esperar. Tiro uma cópia do papel pardo e folheio. Vejo as principais notícias, leio dos leads, já sei das que você vai gostar,mentalmente já separei qual página vou deixar aberta na sua mesa. Eu encaro o jornal e ele encara de volta, nos olhos sorridentes dos reitoráveis, que você tanto odeia, no calor da emoção, na curiosidade da notícia, eu não resisto e pego um pra te levar.  Tomo o 8082 na Raia, passo na Politécnica, faço a curva na Praça do Cavalo e desço ali no IPT, o cobrador era aquele careca, que você não gosta. Se pudesse eu corria, mas vou andando lentamente, passo na frente do Bandejão e quando chego perto da sua mesa, ali de frente para a minha, pron...

Carta a um amigo em Desespero

Soube por meio de cartas que se encontra desesperado, caro amigo, pois venho eu aqui lhe consolar das perdas e libras das angústias. Sei o quão assustador é a saída do mundo universitário para o universo laboral, e que deves estar pensando como farás agora, sem os muros da faculdade a lhe protegerem.  Em certas noites penso o mesmo, mas há de ter uma solução tanto para mim quanto para você, sei bem como é estar desesperado pelo acerto da vida. A velocidade com que as coisas acontecem e que a vida passa tão rápido, mas pense em tudo que já fizeste nesse curto tempo, de tanta coisa que podia ter acontecido, de fato só o melhor se deu.  Esses dias me confessou que não é feliz, mas por que de não ser feliz? Viver todo dia já é motivo para ser feliz, por vezes a vida quase me foi tirada, e penso constantemente nisso, ser feliz já basta viver, estar feliz, isso é um torto que nem sempre teremos. Eu jamais diria para estar feliz o tempo todo, pois deve ser um irritante mal estar, mas...

Fonte Post Mortem

Primeiramente agradeço ao amigo Vitor Forini pela ideia e inspiração e à Catarina por emprestar sua história. Catarina já tinha tentado de tudo antes, distribuía currículos pelas redações no centro da cidade, enviava e-mails para os recrutadores, até mesmo pedia cartas de recomendação ao professor, e nada. Nenhuma empresa chamava ela para trabalhar. Certo dia, um milagre, o barulho de notificação da caixa de e-mail surgiu e ela foi correndo.  Era a primeira resposta afirmativa, o primeiro “sim”. Tinha conseguido vaga no jornal de maior circulação da cidade, a Gazeta, popularmente chamada de Gazetão. Daí foi uma correria que só, RG, CPF, comprovante de residência, protocolo da certidão de nascimento do tio da mãe de um primo lá de Maringá, tudo para confirmar o emprego.  Dali uma semana o primeiro dia, tudo certo, era oficialmente estagiária do Gazetão. Ganhou uma mesa no canto da redação, perto da janela, com vista para o trânsito da 23 de Maio. Ela trabalhava diretamente para...

Precisamos falar sobre os cangurus

No capítulo 025 do remake da novela Vale Tudo, o personagem do ator Alexandre Nero, Marco Aurélio, o presidente da TCA, está à procura de sua mala de dólares, perdida após a morte de Rubinho. Na sua saga de busca pelo ladrão da mala, Marco Aurélio pergunta ao seu fiel escudeiro, Frias, o que ele faria caso tivesse roubado os dólares:  “Eu ficaria um tempo com o dinheiro pra ninguém desconfiar, depois viajaria para a Austrália, conhecer esses bichos que tem lá, ornitorrinco, canguru…”  Essa cena me rendeu um Pensamento Intrusivo, como um estalo súbito no meu consciente, portanto o texto dessa semana é só de ele, os cangurus!  Acho muito grave como não há ninguém falando sobre os cangurus. Tradicionais do continente australiano, os cangurus são marsupiais da família Macropodidae, e atualmente são a maior espécie habitante do continente, o governo australiano estima que quase 45 milhões de cangurus vivem no território (isso sem contar os que está dentro das bolsas), esse núm...

O Triângulo das Bermudas

Eu sinceramente achava que o Triângulo das Bermudas seria um problema muito maior na minha vida. Quando era pequeno, ali no pequeno bairro de São Miguel Paulista, eu tinha um grande medo, o Triângulo das Bermudas! A gigantesca porção de água que fica entre o Caribe, Miami e Porto Rico era uma das grandes preocupações na cabeça do eu infantil, que temia viagens de barco com medo de que um dia entrasse por acidente nesse território de um milhão de quilômetros quadrados.  Perdi a conta de quantas noites eu perdi acordado pensando em como sobreviveria a esse embate, caso um dia, ele fosse as vias de fato, o que para mim parecia inevitável depois de um tempo. A cada dia eu explorava mais o triângulo e eu sabia que ele sabia que eu sabia dele, estavamos eu e ele nessa Guerra Fria, eu o decifrava e ele se retirava para me derrotar. Vale lembrar do surto que tive quando um primo foi para Miami, e seu voo deveria passar por lá para chegar ao destino, eu tentei passar para ele todo conhecime...

Não sei ser condecendente com gente burra

  A frase que é título do texto de hoje é de autoria da Marlene Mattos, conhecida nacionalmente por ter sido a agente da cantora Xuxa, lá nos longínquos anos 1990. Embora venha de uma péssima pessoa, que tratava todos ao seu redor de forma péssima, eu devo admitir que me vi muito representado nessa frase, simplesmente não consigo lidar com gente burra. Primeiro, vamos estabelecer um fato universal, ser burro é uma escolha (não confundir burrice com ignorância, que é um estado em que o contexto social no qual a pessoa está inserida afeta diretamente seu acesso ao conhecimento), e por tanto, reagir a burrice alheia é natural e deveria ser mais normalizado, mas não é. Se você tratar uma pessoa burra como burra, ela vai obviamente se ofender, mesmo que não tenha forma diferente de tratá-la, por essa ser a sua natureza.As pessoas param de gostar de você quando vocês as trata pelo que elas são, já que elas preferem ser tratadas como elas acham que são. O grande problema da vivência com g...

Um homem pulou no trem, e eu entendo

Estava mais um dia a caminho do metrô de São Paulo, quando ao chegar na estação Carrão, da linha 3 Vermelha, quando soube que um cidadão havia se jogado no trilho do trem. No começo, fiquei com raiva, aquela proeza dele custaria no mínimo uma hora para mim e para meu caminho usual, mas depois, comecei a pensar, o que se passa na cabeça de um sujeito como esse? Será, que pela primeira vez na vida, aquele homem, que tão pouco tinha, decidiu cometer seu primeiro ato de egoísmo puro, e gostaria de um pouco de atenção por causa disso? Será que ele tinha alguém em casa esperando? Teria alguém chorado por ele no seu ato final? Será que alguém ainda contaria uma piada ensinada por ele? Alguém ainda ouviria as músicas que ele havia mostrado? As frases que usava? Alguém ainda iria sorrir quando se lembrasse dele?  A verdade é que as pessoas seguiriam com suas vidas, talvez sem notar o quanto dele haviam levado consigo, ele até poderia ser só uma memória que arranhava a superfície, mas estava...

Não ser suficiente

Tem dias na vida que a gente se sente como se fosse a pior coisa do mundo, nossas pautas não são boas, nossos textos não são suficientes, nossas ideias não são ouvidas, nossos nomes não são lembrados. E tem dias que as coisas não parecem valer a pena, infelizmente fazemos as coisas para os outros, pois se fosse somente para nós, não as faríamos, seriam somente uma ideia abstrata na cabeça, sem necessidade de acontecer. Em momentos como esse, devemos pensar se o que fazemos realmente vale a pena, se só não as fazemos para agradar, no final, gostar do que faz, é importante (claro, se você não receber montantes absurdos de dinheiro para fazer algo que não gosta). Largar mão das coisas é tão importante quanto fazer coisas que gosta, é um autocuidado, é algo imprescindível Na natureza das coisas reais e abstratas, ser valorizado é o que torna as coisas tangiveis. As vezes realmente suas ideias não serão notadas, seus filmes não serão vistos, seus livros não serão publicados, seu blog nunca ...

Gostar de quem não gosta da gente

Distribui convites para o meu aniversário no último mês. Variadas foram as formas que eu fiz isso, e-mail, Whatsapp, Instagram e até mesmo presencialmente, como faziam os antigos Astecas. Sempre fui um entusiasta dos convites, da coisa comvite mesmo, do substantivo, nada é melhor que a sensação de estar em um lugar porque querem que você esteja lá.  Todo evento social que promovo, são raros admito, tem convites formais e especiais, feitos pelo Canva sem o uso de modelos prontos. É a parte mais proveitosa para mim de todo o ritual de organizar um aniversário, receber as confirmações, ou as negativas (quando plausíveis), são sensações ótimas para mim, além de acelerar imensamente o processo seguinte de organização da comemoração, fazer uma festa para 5 pessoas é uma coisa, para 20 é outra coisa completamente diferente.  Dito isso, recebi as confirmações ou negativas prontamente, as arquivei no lado do cérebro responsável por organizar essas informações e coloquei minha atenção s...

Me sinto o Uday Vellozo

Em 1973, Uday Vellozo lançou meu hit de carnaval favorito, onde ele contempla a espera de um amor para dividir o carnaval com ele, mas esse amor nunca vem, embora ele tenha se preparado o ano todo para isso. Na sexta eu cheguei mais cedo, fiz compras, cozinhei e fiquei lá esperando, por algumas horas e nada, El* não desfilou e eu chorei, ah se eu chorei. Fui reler nossas conversas e entendi, acho que no final eu que tinha inventado toda aquela noite na minha cabeça. Uday e eu estávamos sentados no mesmo meio fio naquele momento.  Coloquei para assistir um episódio do clássico Slap and Kisses, e por uma ironia do destino caí em um episódio em que Sueli prepara um jantar para Jorge e ele simplesmente não aparece, ela chorou e fez o que a dupla dinâmica formada pela indicada ao Oscar, Fernanda Torres e pela genial Andréa Beltrão, ligaram uma para a outra.  Eu não tenho uma Fátima, nem um Sueli, quiçá um Jurandir, então me apeguei em acompanhar os capítulos dessa série e comer vár...

Comprem rosas, pois as rosas falam tudo

  Quarta-feira de tarde fui à floricultura e comprei rosas. Optei pelas nacionais do interior paulista em detrimento das importadas holandesas, pedi que passassem uma fita vermelha e às levei por 8 estações de metrô. Não me restringindo somente às rosas, comprar qualquer flor para outrem é tido como um dos maiores atos românticos que existe, mas as próprias flores nunca foram informadas disso. Como um comprador assíduo de flores (das quais na maioria das vezes não são correspondidas), eu já mandei flores de desculpas, já compraria flores de amor, uma vez tive flores até mesmo em Paris, com todo esse currículo, eu afirmo categoricamente que nenhum flor jamais foi informada de que era um símbolo de amor. As flores simplesmente desabrocham pois precisam, florescem pela necessidade de sobrevivência, não se dá flores por serem bonitas, dá-se flores pois há sentimento envolvido. Um Post genérico e suspeito do Instagram uma vez disse: "Pessoas recebem mais flores depois de mortas do que ...

Tudo em todo lugar ao mesmo tempo- não uma resenha atrasada sobre um vencedor do Oscar, mas sim como minha mente está

  Esses dias me peguei dividido entre praticar violão, editar fotos, pintar, desenhar, escrever ou me exercitar. Essa dúvida me consumiu por tanto tempo que passei o dia inteiro sem fazer nada, olhando o TikTok. Querer ser um pouco de tudo é um grave problema, a gente acaba simplesmente não fazendo nada direito, e nos piores casos, não fazendo nada. Raros são os dias em que se acorda motivado a fazer as coisas, eu por exemplo, nunca tive um dia desses, sempre acordei querendo dormir mais e acredito que toda pessoa racional também tenha essa vontade, mas acredito sinceramente que motivação não seja o que falta no meu dia a dia, e sim, talvez, só um pouquinho de organização mental. Meu cérebro tem a capacidade de processar todos os pensamentos possíveis, um verdadeiro multiverso parecido com o presente no filme de Scheinert e Kwan, não é fácil lidar com todos esses pensamentos ao mesmo tempo, é como se milhares de possibilidades se desenvolvessem ao mesmo tempo na minha cabeça, em fu...

Dei uma festa, ninguém apareceu e eu não quero mais viver

Fiquei meses enclausurado na minha casa para poder passar em diversas universidades, quando passei, pensei que comemoraria com meus amigos, fiz uma festa e ninguém apareceu.  Quando eu percebi que ninguém apareceria, vivi um sentimento similar ao meu aniversário do ano passado, quando ninguém apareceu, ou quando nenhum dos meus amigos me falou nada quando meu avô morreu, ou todas as outras vezes em que eu parecia simplesmente sozinho. Saber que você é um amigo que raramente é importante para alguém dói bastante, mas eu me já me vejo bem acostumado com a sensação. Quando eu era criança, raramente era convidado para as festas dos amigos de turma, era muito "esquisito" pra elas, me disseram que no Ensino Médio as coisas iam melhorar, veio o ensino médio e nada, ninguém notou a minha existência durante 3 anos, falaram que seria depois de formado, trabalhando, e novamente nada aconteceu. Agora às portas da Faculdade, dizem que será o momento, mas é difícil acreditar. Aprendi em al...

28° edição da Mostra de Tiradentes- Fui humilhado, ignorado, fotografei, fiz amigos e entrei na fase que ou o cinema morre para mim, ou eu vivo dele.

  Citando a grande cantora Evinha, “E daí esse meu silêncio profundo?”. Comecei a ouvir a música Espera Para Ver da Evinha logo que entrei no Ônibus a caminho de Tiradentes. Não dormi nada no caminho, um sujeito roncava fortemente e eu só pensava no ódio profundo que sentia por ele. Durante 12 horas me joguei nos clássicos da Evinha, foram horas introspectivas Depois de 12 horas cheguei a Tiradentes, acabado só no caminho, e já me entreguei a frenética programação do festival. No começo, eu pensei que sentiria a magia do cinema logo de cara, mas não rolou de forma alguma nesses 7 dias, entrei em desespero logo de cara, mas vamos chegar lá.  Primeiro a casa, fiquei bem distante do centro da cidade, em uma casa com 5 pessoas muito especiais, Rodrigo Sousa e Sousa, meu professor, e o maior montador de película que temos no país inteiro, Aninha, fotógrafa de 3 edições de Olimpíadas, Dona Rosa, a mãe do Rodrigo, Ariadne e Luana, que trabalham no Lab. revelando filmes, e eu, eles fo...